As coisas mudam…mesmo!

A manhã estava tão linda, decidiram caminhar. Estavam, por acaso, no mesmo belo jardim, apreciando o mundo, comparando-se uns aos outros, como todo faz. Num cruzamento, encontraram-se e decidiram conhecer-se melhor. Começaram, então, a passear juntos pelo jardim. Passos curtos, nenhuma pressa. Apenas o prazer do calor do sol, contrastando com o frescor de algumas gotas de orvalho que ainda restavam da noite passada.

Estranho como é a vida… Eles vinham, despreocupadamente, cada um por um caminho que os levou um ao outro. E a partir daí, timidamente, começarem a se comunicar, muito peculiarmente como é de costume no início de um relacionamento.

Começaram a perceber que eram perfeitos um para o outro. “Farinha do mesmo saco”. Coisa difícil nesse mundo, nesses dias. Cada minuto que passavam juntos era precioso. A cada contato se julgavam mais e mais perfeitos um para o outro, até que nenhuma outra criatura parecesse existir em seu universo. Eles se identificavam em tudo. Se sentiam aceitos, amados, apreciados, pela primeira vez… Ah! Que sensação indescritível!

Todo tempo do mundo, usavam para ficarem juntos, se amando ao seu jeito, contemplando um ao outro, rindo à toa, sentindo o cheiro e calor daquele outro corpo que havia se tornado tão necessário.

Um dia – devia ser um daqueles dias cinzentos, em que a gente não entende o que fez de errado – ela começou a dar estranhos sinais de mudança. Ele preocupou-se um pouco, mas achou que seria algo passajeiro, e que logo o orvalho e o sol voltariam. Com o passar do tempo, a mudança não pôde mais ser ignorada. Ela foi se fechando dentro de um mundo cada vez mais intransponível. Por mais que tentasse, parecia que havia sido erguido um muro, o qual o outro não conseguia transpor. Nunca mais a comunicação entre eles foi a mesma. A cada dia ela se tornava mais estranha, irreconhecível. Mas algo dizia no coração dele, tão cheio de amor, que a deixasse em paz. Parecia que lá no fundo, entendia o porquê daqueles acontecimentos. Então foi deixado-a livre para seguir sua jornada para dentro de si mesma, enquanto observava e aguardava que ela voltasse. Voltasse o mais rápido possivel e que suas vidas voltassem a ser perfeitas novamente.

Um dia, perplexo, o bicho da seda viu abrir-se, à sua frente, o casulo de sua amada, e de dentro dele, sair uma linda e colorida borboleta. Saiu com um pouco de dificuldade, mas quando encontrava-se livre do casulo, voou o mais alto que pôde, para perto das nuvens, das flores, do céu.

O bicho da seda, aturdido, observava aquele ser, que, de um dia para o outro, mudou sua aparência, seu jeito de pensar, seu jeito de ver a vida, foi embora sem olhar pra trás, em busca novos horizontes. Afinal, agora podia conhecer outros mundos e estava apaixonada pelo desconhecido. O mais estranho, é que voou como se nada nunca tivesse acontecido entre eles, nem um olhar deixou de recordação. Desculpas pareciam inúteis naquele momento.

O bicho da seda chorou, mesmo entendendo, dentro de seu coração a natureza das coisas. Por algum tempo chorou a cada vez que sentia uma gota de orvalho bater em sua pele, mas continuou seu caminho, conformando-se com o curso da vida e esperando que, algum dia, pudesse acreditar de novo num amor perfeito, ou pelo menos encontrar alguém que nunca deixasse de sentir prazer em rastejar com ele, para que juntos pudessem fazer, seu lindo lar de seda azul.
Anúncios

Um comentário sobre “As coisas mudam…mesmo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s