Quero ser um rotweiller

Olá, moça

O provinciano leu o seu blog e viu que nós, a classe, andamos por baixo. Mas a classe é sempre uma generalização, há de tudo no todo, como do lado daí.
A Martha Medeiros foi muito feliz em seu artigo na história do “fizeram a gente acreditar”.
Uma vez, conheci um casal que vivia junto há mais de 50 anos, e decidi observá-los. A mulher tomou duas broncas violentas em um período de duas horas, e nada falou. Pensei com meus botões que, para quem olha de longe, parece o caso clássico da laranja que achou sua metade. De perto, é mais parecido com anulação mesmo.
Bom, falando assim parece que tudo é uma merda em relacionamentos, mas não acho que seja o caso. Nosso problema é pensar demais no futuro, no projeto de vida perfeita que nos venderam, e não aproveitar a hora em que tudo está bom e encaixado.
Você ainda encontrará muitos filhos da puta – e gente boa também. Se souber se livrar dos primeiros logo e curtir os gente fina enquanto for bom, venderá livros de auto-ajuda e ficará rica, pois se trata praticamente da fórmula da felicidade!

Beijo, fique bem, gosto muito de você para vê-la triste.

Em primeiro lugar, obrigada pelo comentário, pois você sabe que sou sua fã e considero profundamente suas opiniões. Em segundo lugar, vamos seu texto:
Sabe esses esporros que você viu a senhora levar e ficar calada? Eu também observo muito isso e, geralmente quem os leva são as mulheres, que, quase sempre também se calam. Porque a anulação? Uma coisa eu sei, pela minha incapacidade de me anular (pelo menos por muito tempo), é que estou sem um marido me dando esporro hoje. Não concebo babacas burros, se achando melhores do que suas esposas e mais fortes porque trabalham fora, ou porque ela seja uma pessoa sensível e, sensibilidade é quase sempre confundida com fraqueza – O QUE É UM ERRO ENORME E MUITO COMUM. O que move as mulheres que se anulam, na minha opinião, é o medo da solidão. Sabe o famoso “ruim com ele…”? Mulher é um bicho meio assustado. Ou tem muitos perigos na selva, ou vive a procurar água na caatinga. Daí engolir certas coisas.
Quanto ao seu comentário sobre a minha (in) felicidade, eu sabia que ia surgir explícitamente, já que meus verdadeiros amigos me conhecem por dentro, além do mais, o veneno e a dor escorre de tudo que escrevo. Eu sou aquele bicho que, quando encontra novos donos (namorados) só pensa em dar amor, como tem que ser (pela minha natureza sensível, romântica e apaixonada). Até que eu recebo a primeira porrada, a primeira coleira e a primeira demonstração de maldade – não suporto o mal.
É interessante a história da minha vida, pois todos os pés na bunda que levei foram dados pela minha bunda. Eu é que dava uma bundada no pé do cara – se é que existe isso. Não que eu queira me vangloriar, eles não gostavam mais de mim mesmo, apenas tenho pavor da rejeição e caía fora ao primeiro sinal de ser chutada pelo tal do “dono”. Entendeu? Quando eu percebia que não era por aí, eu saía fora, mesmo amando o cara. Nunca ninguém me mandou embora. Eu sempre entendi que era hora de fugir e quando via o portão entreaberto, fugia chorando, e o que é pior, ficava olhando pra trás um tempão, com saudades do (ele sim) cachorro. Sofri muito, pois tudo que uma mulher quer é amor, e nele estão englobados até os 10 mandamentos de Deus, pois, se você ama, não trai, não maltrata, não mata (muitos deles tentaram matar minha alma, pois muita gente prefere destruir o que não compreende). Resumindo, não encontrei ainda alguém que mereça esse amor que está no meu coração, esse amor que é tão frágil quanto forte, tão destemido quanto medroso, tão vivo quanto morto, pois é altamente perecível.
Estou triste sim, sozinha, mas estendo que estou passando, finalmente pelo processo da lagarta, só que, através de uma mutação genética, que só a história da minha vida pode explicar, estou me transformando de pincher em rotweiller. Os rotweiller também amam os seus donos, mas não fogem ao ser maltratados, reagem, e, Deus sabe que deixei muito safado impune por aí, quando merecia era uma boa mordida no meio da cara. Aliás, uma das grandes vantagens de ser rotweiller é que nenhuma porcaria chega perto deles. Tem que ter coragem, tem que ter amor verdadeiro, tem que ser homem de verdade. Esse sim, será merecedor do meu coração e no primeiro beijo que me der, me transformará na tal borboleta, para encher sua vida de beleza. Só espero que “esse amor não demore a chegar, pois não sei se terei no olhar, toda ternura que quero lhe dar”.
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