Até as vacas merecem respeito!

Ela pegou o telefone e ligou, cheia de esperanças, para o cara que tinha conhecido no sábado anterior. Esperou uma semana pra não dar bandeira, mas acabou ligando bem no sábado. Quer mais bandeira de encalhada do que essa? Bem, ele atendeu, marcaram, foram jantar fora e depois dançar. Ela notou que ele bebia um pouquinho demais. Mas, como ela estava alegrinha também, continuaram a dançar e daí começou a ficar cada vez mais íntimo e veio a famosa pergunta: vamos embora? Depois dos 30, vamos embora não significa mais a mesma coisa, e pode ser perfeitamente feito no primeiro encontro. O problema é responder. E o ideal é ser sincera como algo do tipo “queria dançar mais”, “está tão legal aqui”. Então ele fica um pouco irritado, mas aceita e pede mais drinks para amaciar a carne da vaca que ele pretende levar para o abate. É isso mesmo, é assim que a maioria dos espíritos da noite vêem a gente, não vamos nos enganar. No dia seguinte, quando esse tipo de cara acorda e olha para aquela criatura ao seu lado, dormindo em sua cama, parece que está vendo uma vaca morta, a qual só resta empurrar escada abaixo e se ver livre dos vestígios do sexo bêbado (que é igual a sonhar que está transando. Você pode até ter orgasmo, sentir alguma coisa no momento, mas é tudo etéreo, como num sonho, ou melhor, como num porre, do qual quando você acorda, não há nada lá).

Voltando à cara feia dele, vem outra pergunta cretina: “Vamos para um lugar mais calmo?”. Então você decide que é hora de ser sincera (coitada). “Eu não acho uma boa a gente transar hoje, queria te conhecer melhor”. Se houvesse uma tecla del, ele apertaria na hora, mas, é mais fácil SER HOMEM e dizer “claro amor, só queria namorar, nem estava pensando nisso”. Às vezes eles vão às raias do absurdo e dizem: “Eu jamais iria querer transar hoje, você é especial e eu quero que seja especial entre a gente também.”

Depois dessa, querida, das duas uma: ou você vai ao banheiro e na volta encontra ele beijando outra (que já estava azarando a noite toda nas suas costas para garantir), ou ele te leva embora muito puto, disfarçando a raiva, e te apaga do caderninho (invisível) dele. Não sem antes te beijar ardentemente na porta da sua casa, dizendo como a noite foi maravilhosa, e que vai te ligar no dia seguinte, com certeza, para vocês passearem na praia. Só rindo, porque a vontade que dá mesmo é de chorar, e muito. Chorar por não ter vivido num tempo em que um fio de bigode valia. Um tempo em que os homens valorizavam tanto as mulheres, que ver seus tornozelos os fazia sonhar. Um tempo em que tudo que um homem queria era achar uma mulher boa para amar e dar uma família. Esse tempo passou, e nunca mais voltará. Lembro-me do pai de uma amiga me dizendo, que acha muito banal como todas as pessoas se despedem beijando-se ou dizendo: um beijo! Ele me disse algo que nunca vou esquecer: “No meu tempo, não se mandava ou dava um beijo em qualquer um. No meu tempo, um beijo tinha muito valor…”
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2 comentários sobre “Até as vacas merecem respeito!

  1. Lu!Não poderia deixar de elogiar essa foto… que beijão gostoso essa vaca deve dar, heim?Com relação ao empobrecimento do uso de palavras fortes, tipo “beijão”, tenho algo a acrescentar: você já reparou como é banal, hoje em dia, dizer “eu te amo!”???? E aí entramos naquela velha máxima do perigo que essa afirmação tem quando recebida por qualquer pessoa… “eu te amo” é forte demais, muito sério, e só deveria ser usado em ocasiões reais, e nunca como forma de demonstrar carinho ou até mesmo como complemento de bom papo.Diria eu que não só “as vacas merecem respeito”, mas as pessoas também. E na minha cabecinha (que para alguns pode até parecer ridícula), soltar essas afirmações por aí a tres por dois deveria ser passível de multa, com pagamento feito no mínimo por trabalhos forçados! Talvez aí, tantos as vacas quanto as pessoas sejam respeitadas…Obrigado por mais esse texto,Nando.

  2. Olá, moçaO provinciano leu o seu blog e viu que nós, a classe, andamos por baixo. Mas a classe é sempre uma generalização, há de tudo no todo, como do lado daí.A Martha Medeiros foi muito feliz em seu artigo na história do “fizeram a gente acreditar”. Uma vez, conheci um casal qu vivia junto há mais de 50 anos, e decidi observá-los. A mulher tomou duas broncas violentas em um período de duas horas, e nada falou. Pensei co meus botões que, para quem olha de longe, parece o caso clássico da laranja que achou sua metade. De perto, é mais parecido com anulação mesmo.Bom, falando assim parece que tudo é uma merda em relacionamentos, mas não acho que seja o caso. Nosso problema é pensar demais no futuro, no projeto de vida perfeita que nos venderam, e não aproveitar a hora em que tudo está bom e encaixado.Você ainda encontrará muitos filhos da puta – e gente boa também. Se souber se livrar dos primeiros logo e curtir os gente fina enquanto for bom, venderá livros de auto-ajuda e ficará rica, pois se trata praticamente da fórmula da felicidade!Beijo, fique bem, gosto muito de você para vê-la triste.

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