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Hoje não sei mais nada

Decepcionados?
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Finalmente comecei a entender…

Tantas vezes Te pedi que me ajudasse em minhas atribulações. Tantas vezes chorei e minhas lágrimas não me deixavam ver-Te, bem à minha frente, com suas benditas mãos estendidas para me salvar. Quantas vezes, pensando só em mim, tive mágoas enormes de coisas tão pequenas. Quantas vezes tive pena de mim, e Te perguntei: Porquê? Quantas vezes achei que não guardava mágoas, que havia perdoado, mas me via novamente sofrendo pelos mesmos motivos. Quem sou eu meu Senhor, para não perdoar os meus semelhantes? Quantas vezes me senti injustiçada e traída, quando Tu nunca me viraste as costas. Mas eu estava muito cheia de pena de mim mesma, para ver que a única coisa que eu precisava era abrir a porta para que Tu entrasse. Te clamava, me desesperava, Te chamava, Te pedia, Te implorava pela saúde e pelo fim da dor, mas mantinha meu coração cerrado de dor e ignorância. Hoje quero Te pedir perdão por tantas ofensas que cometi para com o Senhor, não confiando no seu poder e querendo desistir de ser amada pelo meu próprio Pai. Pior do que isso, duvidando que fosse digna do amor dos simples mortais, quando sou uma filha muito amada do próprio Deus. Se Ele me ama, como haveriam meus semelhantes de não serem capazes de me amar.

Hoje sei, que faltava para mim, descer do alto do meu miserável ego, para dar o lugar a Quem ele pertence: Tu Senhor. Guia da minha vida, Luz do meu caminho, Perdão dos meus pecados, Bálsamo do meu coração.

Perdão Senhor, que alguém com saúde, força, juventude e alegria, tenha se entregue à tristeza como fiz. Que uma pessoa amada por toda sua família e por uma pequena mas poderosa legião de verdadeiros amigos que estão sempre comigo, tenha se sentido só. Perdão, Senhor, que mesmo tendo tudo isso ao meu redor, eu tenha me sentido abandonada, desesperada, vazia, quando Tu me cobriste nesta vida com tudo de que preciso para ser feliz. A partir de hoje, me comprometo com o Senhor da minha vida, a me dedicar ao meu próximo, muito mais do que a mim, tendo finalmente a verdadeira consciência de tudo tenho, que é muito e me foi dado pelo Próprio Deus, com toda misericórdia. A seguir Senhor, meus primeiros pedidos de seu auxílio aos meus irmãos esquecidos, enquanto pensava apenas nos meus pequenos e tolos problemas:

Senhor,

Envie seu amor para aqueles que não têm família e ninguém com quem contar num momento de necessidade financeira, moral ou física.

Envie amigos àqueles que não têm ninguém ao menos para desabafar, ao contrário de mim, que tenho tantos que me amam e demonstram isso diariamente.

Envie pão a quem tem fome. Trabalho à quem busca seu sustento e sua dignidade.

Envie sua misericórdia àqueles que estão encarcerados, e perdoa seus pecados, pois, como Tu mesmo sabes, eles não sabem o que fazem.

Envie harmonia aos lares, fortalece as famílias, una os seres humanos.

Salve o planeta da destruição.

Ampare os doentes e suaviza suas dores.

Salve as almas ignorantes, que ainda não tiveram a glória de serem tocadas pelo Seu amor.

Salve os jovens das drogas e a estes ajude ainda com mais amor e afinco, para que o mal não os leve antes que conheçam a Sua glória.

Permita que nossos jovens vivam o amor verdadeiro, tenham famílias, estudem, sejam amados e possam distinguir entre o bem e o mal.

Permita às nossas crianças serem amadas por seus pais, e que mesmo no meio de suas vidas atribuladas e sacrificadas, haja sempre um momento para que um pai ou uma mãe olhe nos olhos de seu filho e diga, pelo menos uma vez: Eu te amo! Como você está? Como vai sua vida meu filho? Eu estou aqui.

Tire das costas dos menos validos, os fardos que os impedem de viver a beleza e a graça infinita que é ter uma família. Buscando fora de casa, na bebida, uma felicidade falsa e destruidora.

Senhor,

Não tenho direito te te pedir muito, visto que tenho tanto a agradecer, que nem milhões de palavras seriam suficientes. Porém, meu querido Pai, quero que saiba que estou começando a Te entender, e que finalmente aprendi que ver a felicidade nos olhos dos meus irmãos, me faz querer continuar. Que ver que ainda há famílias que se amam me faz acreditar que eu ainda poderei ter a minha, ou que, quem sabe, o Senhor está preparando uma grande família para receber todo o amor que tenho para dar.

Aos meus amigos, quero dizer que finalmente estou me curando porque encontrei o médico certo. Estou acreditando na vida, no amor e no futuro. E quero dividir com vocês a minha alegria de ter sido tocada por Aquele que é minha única fonte verdadeira de felicidade plena, alegria e paz: Obrigada meu Senhor pela sua insistência. Obrigada por não ter desistido de mim, mesmo nos meus momentos de maior heresia, desespero e cegueira.

Hoje, agradeço pela minha saúde que vem sendo restaurada, para que eu possa renascer em Seus braços, rodeada de flores, pássaros, luz e anjos, com os quais pretendo preencher o que até hoje foi solidão, dor e escuridão.

Eu te amo meu Senhor, de todo o meu coração, meu espírito e minha alma. Me entrego a Ti hoje e para sempre. Sei que algumas vezes vou cair, mas voltarei correndo para os braços do meu Pai, onde sei que posso, finalmente, ser feliz! Graças a Deus!
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Constrói comigo, amigo!

Essa mensagem vai para meu amigo Marcos, que vem me dando tanta força, lendo o que escrevo e me considerando até uma escritora (ele me chamou de escritora maldita, e eu amei). Ele já me pediu para compilar o que escrevo. Isso é lindo. Alguém acreditar em você num momento em que está se sentindo na verdadeira MERDA, não há nada que pague, nem o Credicard.

Sei que muitos de vocês também me apóiam e quero agradecer a todos. Tem sido muito difícil escrever, mas minha médica me obrigou e aqui estou eu. Quando senti que as pessoas estavam voltando a ler meus escritos, me senti ligada novamente ao mundo.
Obrigada Marcos, pelas palavras que me enchem por dentro. Saibam que dos grãos de areia que vocês têm me dado todos os dias, construirei nosso castelo, e nele nos reuniremos para celebrar, felizes, a nossa vitória.
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Tem gente que ama!

Lu!

Não poderia deixar de elogiar essa foto… que beijão gostoso essa vaca deve dar, heim?
Com relação ao empobrecimento do uso de palavras fortes, tipo “beijão”, tenho algo a acrescentar: você já reparou como é banal, hoje em dia, dizer “eu te amo!”???? E aí entramos naquela velha máxima do perigo que essa afirmação tem quando recebida por qualquer pessoa… “eu te amo” é forte demais, muito sério, e só deveria ser usado em ocasiões reais, e nunca como forma de demonstrar carinho ou até mesmo como complemento de bom papo.
Diria eu que não só “as vacas merecem respeito”, mas as pessoas também. E na minha cabecinha (que para alguns pode até parecer ridícula), soltar essas afirmações por aí a tres por dois deveria ser passível de multa, com pagamento feito no mínimo por trabalhos forçados! Talvez aí, tanto as vacas quanto as pessoas sejam respeitadas…

Obrigado por mais esse texto,Nando.

Meu querido amigo,
Eu é que agradeço sua atenção às minhas “cartas” (que também podem ser consideradas ridículas – já que, segundo Fernando Pessoa, TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS – e na minha opinião, ele está mais do que certo, porque amar é não ter medo de ser ridículo, já que os medrosos, quando se vêem diante dessa possibilidade, saem correndo, não é?)
Quanto ao EU TE AMO, coitado, já virou BOM DIA. Há pessoas que falam isso quando estão na cama e têm um orgasmo. Fala sério!!!! Você amou foi o orgasmo, se liga! Mas, fazer o quê?
Existem até os “amigos” que te falam que te amam toda hora, e na hora do aperto, pulam fora. Tudo bem, as pessoas são passíveis de erros e enganos, mas há que se tomar cuidado, pois, como já disse, não se sabe o solo em que se está pisando.
Para você, fica o meu verdadeiro EU TE AMO e UM GRANDE BEIJO. Porque você não tem medo desse rotweiller que late, mas não morde.
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Quero ser um rotweiller

Olá, moça

O provinciano leu o seu blog e viu que nós, a classe, andamos por baixo. Mas a classe é sempre uma generalização, há de tudo no todo, como do lado daí.
A Martha Medeiros foi muito feliz em seu artigo na história do “fizeram a gente acreditar”.
Uma vez, conheci um casal que vivia junto há mais de 50 anos, e decidi observá-los. A mulher tomou duas broncas violentas em um período de duas horas, e nada falou. Pensei com meus botões que, para quem olha de longe, parece o caso clássico da laranja que achou sua metade. De perto, é mais parecido com anulação mesmo.
Bom, falando assim parece que tudo é uma merda em relacionamentos, mas não acho que seja o caso. Nosso problema é pensar demais no futuro, no projeto de vida perfeita que nos venderam, e não aproveitar a hora em que tudo está bom e encaixado.
Você ainda encontrará muitos filhos da puta – e gente boa também. Se souber se livrar dos primeiros logo e curtir os gente fina enquanto for bom, venderá livros de auto-ajuda e ficará rica, pois se trata praticamente da fórmula da felicidade!

Beijo, fique bem, gosto muito de você para vê-la triste.

Em primeiro lugar, obrigada pelo comentário, pois você sabe que sou sua fã e considero profundamente suas opiniões. Em segundo lugar, vamos seu texto:
Sabe esses esporros que você viu a senhora levar e ficar calada? Eu também observo muito isso e, geralmente quem os leva são as mulheres, que, quase sempre também se calam. Porque a anulação? Uma coisa eu sei, pela minha incapacidade de me anular (pelo menos por muito tempo), é que estou sem um marido me dando esporro hoje. Não concebo babacas burros, se achando melhores do que suas esposas e mais fortes porque trabalham fora, ou porque ela seja uma pessoa sensível e, sensibilidade é quase sempre confundida com fraqueza – O QUE É UM ERRO ENORME E MUITO COMUM. O que move as mulheres que se anulam, na minha opinião, é o medo da solidão. Sabe o famoso “ruim com ele…”? Mulher é um bicho meio assustado. Ou tem muitos perigos na selva, ou vive a procurar água na caatinga. Daí engolir certas coisas.
Quanto ao seu comentário sobre a minha (in) felicidade, eu sabia que ia surgir explícitamente, já que meus verdadeiros amigos me conhecem por dentro, além do mais, o veneno e a dor escorre de tudo que escrevo. Eu sou aquele bicho que, quando encontra novos donos (namorados) só pensa em dar amor, como tem que ser (pela minha natureza sensível, romântica e apaixonada). Até que eu recebo a primeira porrada, a primeira coleira e a primeira demonstração de maldade – não suporto o mal.
É interessante a história da minha vida, pois todos os pés na bunda que levei foram dados pela minha bunda. Eu é que dava uma bundada no pé do cara – se é que existe isso. Não que eu queira me vangloriar, eles não gostavam mais de mim mesmo, apenas tenho pavor da rejeição e caía fora ao primeiro sinal de ser chutada pelo tal do “dono”. Entendeu? Quando eu percebia que não era por aí, eu saía fora, mesmo amando o cara. Nunca ninguém me mandou embora. Eu sempre entendi que era hora de fugir e quando via o portão entreaberto, fugia chorando, e o que é pior, ficava olhando pra trás um tempão, com saudades do (ele sim) cachorro. Sofri muito, pois tudo que uma mulher quer é amor, e nele estão englobados até os 10 mandamentos de Deus, pois, se você ama, não trai, não maltrata, não mata (muitos deles tentaram matar minha alma, pois muita gente prefere destruir o que não compreende). Resumindo, não encontrei ainda alguém que mereça esse amor que está no meu coração, esse amor que é tão frágil quanto forte, tão destemido quanto medroso, tão vivo quanto morto, pois é altamente perecível.
Estou triste sim, sozinha, mas estendo que estou passando, finalmente pelo processo da lagarta, só que, através de uma mutação genética, que só a história da minha vida pode explicar, estou me transformando de pincher em rotweiller. Os rotweiller também amam os seus donos, mas não fogem ao ser maltratados, reagem, e, Deus sabe que deixei muito safado impune por aí, quando merecia era uma boa mordida no meio da cara. Aliás, uma das grandes vantagens de ser rotweiller é que nenhuma porcaria chega perto deles. Tem que ter coragem, tem que ter amor verdadeiro, tem que ser homem de verdade. Esse sim, será merecedor do meu coração e no primeiro beijo que me der, me transformará na tal borboleta, para encher sua vida de beleza. Só espero que “esse amor não demore a chegar, pois não sei se terei no olhar, toda ternura que quero lhe dar”.
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Até as vacas merecem respeito!

Ela pegou o telefone e ligou, cheia de esperanças, para o cara que tinha conhecido no sábado anterior. Esperou uma semana pra não dar bandeira, mas acabou ligando bem no sábado. Quer mais bandeira de encalhada do que essa? Bem, ele atendeu, marcaram, foram jantar fora e depois dançar. Ela notou que ele bebia um pouquinho demais. Mas, como ela estava alegrinha também, continuaram a dançar e daí começou a ficar cada vez mais íntimo e veio a famosa pergunta: vamos embora? Depois dos 30, vamos embora não significa mais a mesma coisa, e pode ser perfeitamente feito no primeiro encontro. O problema é responder. E o ideal é ser sincera como algo do tipo “queria dançar mais”, “está tão legal aqui”. Então ele fica um pouco irritado, mas aceita e pede mais drinks para amaciar a carne da vaca que ele pretende levar para o abate. É isso mesmo, é assim que a maioria dos espíritos da noite vêem a gente, não vamos nos enganar. No dia seguinte, quando esse tipo de cara acorda e olha para aquela criatura ao seu lado, dormindo em sua cama, parece que está vendo uma vaca morta, a qual só resta empurrar escada abaixo e se ver livre dos vestígios do sexo bêbado (que é igual a sonhar que está transando. Você pode até ter orgasmo, sentir alguma coisa no momento, mas é tudo etéreo, como num sonho, ou melhor, como num porre, do qual quando você acorda, não há nada lá).

Voltando à cara feia dele, vem outra pergunta cretina: “Vamos para um lugar mais calmo?”. Então você decide que é hora de ser sincera (coitada). “Eu não acho uma boa a gente transar hoje, queria te conhecer melhor”. Se houvesse uma tecla del, ele apertaria na hora, mas, é mais fácil SER HOMEM e dizer “claro amor, só queria namorar, nem estava pensando nisso”. Às vezes eles vão às raias do absurdo e dizem: “Eu jamais iria querer transar hoje, você é especial e eu quero que seja especial entre a gente também.”

Depois dessa, querida, das duas uma: ou você vai ao banheiro e na volta encontra ele beijando outra (que já estava azarando a noite toda nas suas costas para garantir), ou ele te leva embora muito puto, disfarçando a raiva, e te apaga do caderninho (invisível) dele. Não sem antes te beijar ardentemente na porta da sua casa, dizendo como a noite foi maravilhosa, e que vai te ligar no dia seguinte, com certeza, para vocês passearem na praia. Só rindo, porque a vontade que dá mesmo é de chorar, e muito. Chorar por não ter vivido num tempo em que um fio de bigode valia. Um tempo em que os homens valorizavam tanto as mulheres, que ver seus tornozelos os fazia sonhar. Um tempo em que tudo que um homem queria era achar uma mulher boa para amar e dar uma família. Esse tempo passou, e nunca mais voltará. Lembro-me do pai de uma amiga me dizendo, que acha muito banal como todas as pessoas se despedem beijando-se ou dizendo: um beijo! Ele me disse algo que nunca vou esquecer: “No meu tempo, não se mandava ou dava um beijo em qualquer um. No meu tempo, um beijo tinha muito valor…”
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De Jack para Ennis

Meu querido Luterano,

Já que você veio me visitar (obrigada, volte sempre), vou te escrever algo que já queria te falar há algum tempo, porque me faz lembrar um história que você deve ter vivido também. Sabe qual é um dos meus filmes preferidos? Brokeback Mountain. Sabe porquê? Não só porque aborda o tema da homosexualidade da forma mais linda que eu já vi. Mas porque fala de um amor muito forte, transcendente ao tempo e à todas as circunstâncias, mas que não consegue se realizar plenamente por causa de medo terrível que um dos parceiros tem de assumir, por causa de coisas erradas que colocam na nossa cabeça na infância.
Você já reparou que o Twister (Jack) fazia QUALQUER COISA para estar com o outro. Se assumia para os pais, viajava kilômetros, quantas vezes fosse, para estar com quem ele amava e seria capaz de enfrentar tudo por aquele amor? Já o Ennis Delmar (esse nome nunca vou esquecer), foi criado de outro jeito. Foi traumatizado na infância por um pai que, por sua vez deve ter tido seus motivos (absurdos) para fazer o que fez. Viu, acabei de julgar o pai dele, de quem não sei nada.
O que quero dizer com isso é que sempre haverá alguém para julgar, ficar magoado, triste, revoltado ou decepcionado com as decisões que tomamos na nossa vida. A única coisa que me entristece muito, muito mesmo, e me faz chorar todas as vezes que assisto ao filme, é que eu não gostaria de estar no lugar do Ennis, mesmo porque eu sou completamente Jack Twister quando amo, porque isso é importante pra mim (felizmente estou entendendo, à força, que o que é importante pra mim, pode não ser tão importante para o outro. Aliás, até era muito importante para o Ennis, mas ele simplesmente não conseguia…).
Toda vez que acaba o filme, quando eu percebo que nem naquele momento ele consegue dizer que ama o Jack, eu entendo mais uma vez que as pessoas têm limitações. E que, mesmo que eu sinta muita tristeza por causa disso (o Jack morreu de desespero – isso acontece), eu tenho que aceitar.
A única coisa que eu não quero, é abrir meu armário um dia, já velha e sem esperanças, e ver roupas sem manchas e sem marcas de um amor que nunca sangrou, porque nem essa oportunidade ele teve.