Quando Neruda viu o mar de Copacabana

Foto: Revista Webdesign – Ano 2 – nº 13

Por: Caiçara Cibernética
Não havia metáfora que descrevesse tamanha beleza. Ele que, mestre em metáforas, havia se tornado um Neruda, tal qual um Picasso, um Che, um Gandhi, um Guima, ou qualquer outra grande alma, que ao simples citar de um nome, sobrenome e até mesmo um apelido, já se resume, explica e impressiona.

Ele, o Neruda, o mestre das palavras, não conseguiu nem mesmo descrever puramente, muito menos metaforear, como o fazia tão lindamente.
Sentou à beira daquele mar azul como o vestido da menina, molhado de chuva, depois do primeiro beijo, debaixo das videiras, cujas uvas, tão saborosas, não se comparavam à delícia do beijo, da chuva, do azul molhado do vestido da menina.
Tocou aquela areia branca, como os dentes da criança, sorrindo, correndo, brincando de esconder, ansiosa por aparecer. E quando aparecia, sorria, sorria.
Fitou aquele horizonte, tão reto como o fio que divide a vida e a morte, sendo que, dos dois lados daquele fio, só o paraíso existia.
Admirou-se com aquela gente que exalava um perfume de vida. Morena aquela gente, cor de avelã, cor de chocolate. Que gente diferente aquela. Seguiam distraídos, diante de tudo e dele, ali, numa espécie de transe ou um êxtase.

Não sabia. Só sabia que a gente seguia pelo branco tapete rumo à imensidão azul, que só terminava no fio, que ultrapassado ou não, era o paraíso.
Tentou, tentou, mas não conseguia descrever ou metaforear. Foi aí que entendeu que tudo aquilo já era, em si, a própria poesia. Foi aí que descobriu a forma pela qual Deus fazia as suas poesias. Lembrou de tantas outras que já havia “lido”. Porém, sem saber ao certo porquê, só naquele dia, diante do mar de Copacabana, viu a assinatura daquele outro mestre. Ele também, a quem muito se conhece, em uma palavra se resume, mas nunca se explica e sempre impressiona.
Terminou de “ler” a poesia chamada Copacabana e foi embora, impressionado por ter descoberto, sem querer, quem inventou a metáfora e todas as lindas palavras com que havia brincado por toda vida.
Por estar assim, pensando em brincar, resolveu tentar uma metáfora de Deus. Seria mais ou menos assim: Imenso como um grão de areia ou todos eles, de todas as praias, de todos os lugares, de todos os mundos, juntos. Belo como o cheiro do mar, da avelã, do chocolate, do peixe, do verde, do azul ou de mil arco-íris juntos, brilhando abaixo de mil sóis, queimando amarelos. Forte como a gota de orvalho sobre a verde folha da árvore no alto da montanha que ficava um no meio do fio que divide a vida e a morte. Ele era o vestido azul, a chuva, a uva, o beijo, o sorriso, a criança e a brincadeira da criança. Ele era a terra da montanha, o tronco da árvore e o brilho do orvalho. Isso tudo era Ele e Ele era isso tudo, ali na sua frente, naquele momento, e ao mesmo tempo.
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Um comentário sobre “Quando Neruda viu o mar de Copacabana

  1. Guardadas as devidas proporções entre mim e Pablo Neruda, foi assim que me senti qdo conheci Paraty, sem palavras. Não tinha nada pra falar, só pra sentir. ….E desde então, sou porque tu ésE desde então éssou e somos…E por amorSerei… Serás…Seremos… Pablo Neruda

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